sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

UMA SEPARAÇÃO QUE APROXIMA



Por José Farid Zaine

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O grande público não está habituado a filmes falados em línguas orientais, que causam certo estranhamento, apesar da beleza, da sonoridade que elas tem...Filmes iranianos, cuja língua é o persa (ou farsi), há um tempo, ganharam notoriedade nos festivais em todo o mundo, ganhando a crítica e um público restrito. Criou-se até um rótulo, um preconceito: ver esses filmes só seria para os frequentadores de festivais e mostras de cinema, porque o espectador comum morreria de tédio com eles...Pois quem quiser desmanchar definitivamente essa imagem precisa ver, com urgência, “A Separação”, magnífico drama iraniano dirigido por Asghar Farhadi. O filme, além de jamais ser tedioso ou lento, é um exemplo de cinema bem acabado, inteligente, ágil, com um roteiro primoroso que prende o espectador da primeira à última cena, merecidamente indicado ao Oscar nessa categoria.


A história contada em “A Separação” é a de um casal, Simin (Leila Hatami) e Nader (Peyman Moadi), que está se divorciando. As primeiras imagens já nos mostram os dois conversando com um juiz (que não aparece), num diálogo bastante esclarecedor, que não só nos coloca diante da situação familiar do casal, como nos revela o sistema judiciário iraniano, arcaico e dominador. Simin deseja viajar para fora do País, e com ela levar Termeh, a inteligente filha de onze anos, interpretada por Sarina Farhadi...sim, o diretor é pai dela; Nader, que a princípio iria junto, não quer ir mais por conta do pai, que tem Alzheimer e precisa de cuidados. Daí a proposta do divórcio, pois dessa forma a mulher poderia viajar e levar com ela a filha. Daí também o conflito, pois o pai não deseja separar-se dela. Um novo casal entra na história: Nader contrata uma empregada, mas o marido dela não sabe que ela vai trabalhar fora; grávida, ela vai cuidar do pai de Nader, mas sua forte religiosidade a impede de agir sem antes consultar alguém que a oriente. Ela é Razieh (Sareh Bayat) e seu marido é Hodjat (Shahab Hosseini), e eles tem uma filha pequena, Somayeh (Kimia Hosseini), cujo olhar é o espelho dos dramas vividos pelos adultos. A entrada de Razieh na história desencadeia uma sequência de acontecimentos que não dá para contar, para que não se perca nada do precioso roteiro, sabiamente concebido da primeira cena à desconcertante e instigante sequência final.


O que é a verdade? O que se esconde atrás de cada gesto, de cada olhar? Qual o poder da palavra, quando é bem colocada num contexto? Numa roda viva impressionante somos lançados a um remoinho de emoções e de expectativas, dentro de um cenário que, aos poucos, vai se tornando familiar, universal, apesar de todas as diferenças culturais, políticas e religiosas de um país que parece tão distante de nós...Mulheres cobertas pelo xador, desde a infância, regras religiosas rígidas, comportamentos masculinos e femininos delineados e rigorosos, tudo, enfim, o que norteia uma teocracia, está lá, no filme de Farhadi; ele foi capaz de derrubar a barreira da língua e dos costumes para nos introduzir por completo dentro de sua história e seus cenários. E o fez de forma tão magnífica, tão cinematograficamente acertada, que uma chuva de prêmios e indicações ao redor do mundo vem fazendo crescer o interesse pelo filme, a ponto dele precisar ser cauteloso até com seus discursos, para não ser alvo da censura e retaliações por parte do governo iraniano. “A Separação” se transformou num grande sucesso popular no Irã, levando mais de três milhões de espectadores aos cinemas de lá. Esse número deve aumentar muito depois que o filme ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira ,e após ter sido o grande vitorioso no Festival de Berlim, de onde saiu com o Urso de Ouro de Melhor filme, e ainda teve o elenco praticamente todo premiado (os dois casais dividiram os prêmios de melhor ator e melhor atriz). É quase certa a premiação no Oscar como melhor filme em língua estrangeira, porque dificilmente um outro filme será tão arrebatador quanto este, neste ano. E a indicação para melhor roteiro é o mais evidente sinal de que isso acontecerá.


Se há uma separação que merece ser celebrada, é esta, porque nos permite a aproximação com um cinema que vem de longe, mas que felizmente está ficando cada vez mais perto de nós.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

SOBRE CAVALOS E ESPIÕES


Por José Farid Zaine

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A temporada cinematográfica que começa em janeiro é sempre muito boa. O cardápio é variado, eclético, e o mundo se agita para saborear as novidades, tudo em função da noite mágica que se repete todo ano, há 84 anos, em que se dá a entrega do Oscar. Pois bem, do Globo de Ouro, o segundo prêmio em prestígio, às dezenas de listas de melhores e premiações de todo tipo, tudo é feito para ver quem mais se aproxima do Oscar. Não há quem tire da estatueta dourada o status de maior, mais cobiçado e mais esperado filme do ano. No Brasil, as estreias acontecem bem em cima da hora, já que as indicações são anunciadas no dia 24 de janeiro e a entrega do Oscar no dia 26 de fevereiro. Neste ano, uma novidade: não será obrigatório haver dez indicados na categoria principal, a de Melhor Filme, podendo esse número variar entre 5 e 10. Invariavelmente, a crítica internacional, os sites especializados e os cinéfilos do mundo todo já se movimentam em torno dos favoritos. Na semana passada vi uma estreia e uma pre-estreia de dois filmes que devem estar, de alguma forma, entre os indicados em algumas categorias. O primeiro deles, que estreou em todo o País na sexta-feira passada é o novo filme dirigido por Steven Spielberg, “Cavalo de Guerra” (War Horse). A guerra é um tema recorrente na obra de Spielberg. Ela vem misturada com sentimentos e olhares da infância, como aconteceu em “O Império do Sol”, um dos meus favoritos do gênero, ou explosiva como em “O Resgate do Soldado Ryan”, ou ainda adulta e comovente como em “A Lista de Schindler”. Em “Cavalo de Guerra”, a amizade profunda entre um cavalo e um menino que o viu nascer é levada de forma épica, com fotografia arrebatadora, direção de arte magnífica reconstruindo as paisagens dominadas pela guerra de 1914 e a música característica de John Williams, com uma orquestração carregada de cordas para acentuar os momentos mais comoventes e provocar lágrimas. Claro, a música é linda... O cavalo em questão, chamado Joey, vive uma aventura de conquistas e sofrimentos, da salvação da fazenda do dono aos momentos de dor vividos no front. A insanidade e a crueldade da guerra são agora realçadas pelo enfoque dado aos animais, especialmente aos cavalos que puxam tanques e artefatos de guerra, quase sempre até a morte. O estreante Jeremy Irvine é o intérprete de Albert, o garoto que transforma Joey num cavalo chamado de “milagroso”. O outro destaque do elenco é a sempre magnífica Emmily Watson. “Cavalo de Guerra” não é uma obra-prima, mas um filme digno e um divertimento garantido pela assinatura de Spielberg.


Nesta sexta estreia em todo o Brasil outro filme que deve merecer a atenção da Academia, principalmente pelo espetacular elenco masculino, com os maiores nomes do cinema inglês da atualidade, incluindo Gary Oldman, John Hurt, Toby Jones e Colin Firth, que ganhou o Oscar de melhor ator no ano passado interpretando, de forma soberba, o Rei George VI, no vencedor “O Discurso do Rei”. Estou falando de “O Espião que Sabia Demais”, que tem o estranho e intrigante título original de “Tinker Tailor Soldier Spy”. O filme é dominado por Gary Oldman, numa interpretação precisa, milimetricamente construída. O roteiro é baseado no livro homônimo de John Le Carré, especialista em histórias de espionagem na Guerra Fria. “O Espião que Sabia Demais” exige uma atenção constante do espectador: aquele que se distrair demais com as pipocas poderá perder o fio da meada de uma trama complexa, intrincada, mas que faz a delícia dos cinéfilos que curtem o gênero. A ação se passa em 1973, e Gary Oldman encarna o espião aposentado George Smiley, que é novamente recrutado para desvendar um grande mistério: quem, dentre os membros que compõem a cúpula do SIS (Secret Intelligence Service), o serviço secreto britânico tratado no filme como o “Circo”. É certo que um deles é um agente duplo, a serviço também dos soviéticos. “O Espião que sabia Demais” é um ótimo filme dirigido pelo sueco Tomas Alfredson, que ganhou notoriedade pelo estranho mas também excelente “Deixa Ela Entrar”, que ganhou versão anglo-americana dirigida por Matt Reeves e exibida com o nome correto: “Deixe-me Entrar”.


Então, caros leitores e leitoras: boas dicas pra quem curte cinema, mas nas telas grandes das salas confortáveis e tecnicamente bem equipadas: A comovente história de um menino e seu cavalo, que passam por todos os tipos de percalços, incluindo uma Guerra Mundial, e as intrincadas histórias de homens envolvidos em outra guerra, suja e sem canhões, entrem nas filas para ver “Cavalo de Guerra” e “O Espião que Sabia Demais”. E comecem a anotar suas apostas...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Na gruta da Praça Toledo Barros, El Monoloco Bar recebe público diversificado

O El Monoloco Bar, famoso “bar da gruta” de Limeira, localizado na Praça Toledo Barros, no Centro, traz novidades para a população em 2012.

O bar que, para muitos, tem nome difícil, está em funcionamento desde 2010.

Segundo Kevin Gustavo Lopez, um dos sócios do estabelecimento, a novidade para 2012 será com o cardápio. “Espetinhos, lanches, novos drinks e petiscos estreiam em nosso cardápio já neste início de ano”.

Atualmente o carro-chefe do El Monoloco Bar é o pastel acompanhado pelo suco de laranja; mais pedido pelos frequentadores. “O preço acessível e a boa qualidade dos produtos e serviços chamam a atenção de nossos clientes”, conta Lopez.

O prédio do bar chama a atenção de muitos, uma vez que a gruta continua sendo um ponto turístico da cidade, com uma arquitetura peculiar.

Música ao vivo
El Monoloco Bar tem a capacidade para receber 60 pessoas. "A casa fica lotada principalmente de quinta a domingo, quando ocorrem shows ao vivo, com repertório variado, de sertanejo à MPB. A intenção é agradar as pessoas que frequentam o local”, friza Lopez. Neste bar, segundo Lopez, não há cobrança de couvert (valor em dinheiro que se acrescenta à conta pela apresentação artística) e consumação.


O público que frequenta o bar é diversificado, são estudantes, trabalhadores, famílias e jovens. “Pela manhã, o ambiente é bem familiar. Os pais se distraem num ambiente agradável, enquanto seus filhos brincam na praça. Já à noite, o espaço tem maior concentração de jovens”, finaliza Lopez.

O funcionamento do El Monoloco Bar acontece todos os dias (de segunda a domingo), das 9h às 22h30, na Praça Toledo Barros, 164, Centro.


Natália Campos – Estagiária de Jornalismo
Secretaria Municipal de Comunicações
Prefeitura de Limeira
(19) 3404-9622

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

AS SETE MARAVILHAS DE 2011 – PARTE II

Por José Farid Zaine

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Quem pensava que o irrequieto cineasta espanhol Pedro Almodóvar iria sossegar, ou cair na mesmice, depois de seus últimos filmes, foi sacudido por uma grata surpresa. Em 2011 ele nos deu mais uma prova de seu talento, de sua capacidade de surpreender o público. Com seus temperos habituais que incluem muito sexo, histórias mirabolantes, reviravoltas e revelações bombásticas, relações familiares pra lá de complicadas, Almodóvar nos brindou no ano que passou com “A Pele Que Habito”, incursão ao gênero terror misturado com ficção científica, mas com sua marca inconfundível . Seu astro predileto Antonio Banderas vem confirmar essa parceria brilhante como o médico Robert Ledgard, que pesquisa a produção de uma nova pele humana, em experiências nada ortodoxas sob o ponto de vista da ética científica. Sabe-se que o médico, cirurgião plástico conceituado, perdeu a mulher precocemente: ela teria sofrido um acidente de carro, teria tido o corpo inteiro mutilado por brutais queimaduras. Contar mais será estragar o prazer de ver essa história desvendada, bem ao estilo já mostrado em tantas obras do diretor, principalmente “Fale com Ela” e “Tudo Sobre Minha Mãe”.

“A Pele que Habito” é um dos melhores lançamentos nos cinemas em 2011, e fará sucesso nas locadoras, com certeza, dada a legião de fãs que Almodóvar tem no Brasil. Um filme fascinante, irresistível.

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Outro cineasta que nunca decepciona é Clint Eastwood. E apesar de alguns críticos terem torcido o nariz para “Além da Vida” (Hereafter), o filme é um achado, e apenas confirma o talento do diretor. Ele não se repete e não tem medo de ousar. O tema, perigosíssimo, que é a busca da explicação da vida após a morte, é tratado com sutileza e inteligência. A história de um homem com poderes mediúnicos, e que não deseja mais carregar o peso de seu dom, é mostrada sem que haja uma tendência para pregar religiões ou opções de crença. O filme é muito neutro nesse quesito. Mas as histórias que se cruzam são dramáticas e comoventes, e é impossível não refletir sobre o tema após o fim do filme. Ele permanece na mente das pessoas, como um convite à reflexão. Matt Damon e Cècile de France são grandes presenças no elenco, marcado também pelos ótimos garotos gêmeos, Frankie e George MacLaren.

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Bem, se Lars Von Trier, o cinema Argentino, Almodóvar e Clint Eastwood marcaram pontos em 2011, Woody Allen marcou muitos, muitos pontos com seu apaixonante “Meia-Noite em Paris”. Ele achou a fórmula perfeita para combinar romance, comédia e fantasia nessa história encantadora, rodada num dos mais belos cenários naturais do mundo, Paris. Mas os cenários, fundamentais, com direção de arte impecável, nada valeriam sem um roteiro genial, recheado de diálogos inteligentes e situações inusitadas. Owen Wilson está perfeito como o escritor em busca de sua obra, e que sempre acha que tempos bons são os que já foram vividos...Quem o ajudará a revisar essas impressões é nada mais, nada menos que Marion Cotillard, linda e talentosa. Para ver e rever muitas vezes, essa delícia criada por Woody Allen vai marcar as listas de todos os cinéfilos em 2011.

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Terrence Malick nos deu, em 2011, seu enigmático, belo e poético “A Árvore da Vida”, cujas semelhanças formais com o belíssimo “Melancolia” já mencionei no artigo da semana passada. Neste espaço já comentei também sobre essa obra perturbadora, marcada pelas presenças de Brad Pitt, Sean Penn e a maravilhosa Jessica Chastain. ”A Árvore da Vida” será lembrado no Oscar, com certeza, pelo menos por algumas indicações inevitáveis.

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Veio através da Folha de São Paulo uma boa surpresa cinematográfica em 2011: o jornal paulista lançou uma coleção magnífica de filmes europeus, que colocaram obras-primas inquestionáveis ao alcance de um público enorme. Muita gente pode conhecer filmes que marcaram a história do cinema e serão eternas referências de qualidade, de arte cinematográfica sólida e duradoura. Dentre tantos filmes inesquecíveis e importantes da coleção, cito alguns da minha lista de sempre dos melhores de todos os tempos: “Rocco e Seus Irmãos”, “Roma, Cidade Aberta”, “Mamma Roma”, “Cinema Paradiso”, “A Doce Vida” e “Hiroshima, Meu Amor”, só para citar algumas preciosidades.

Que 2012 nos traga outras tantas maravilhas, caros leitores e leitoras, e que elas nos mantenham unidos através da magia do cinema.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

GATOS E GAROTOS


Por José Farid Zaine

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Quem pensa que vai ao cinema ver “O Gato de Botas” (Puss in Boots) e assistir a uma adaptação do célebre conto de Charles Perrault, pode esquecer. Do original, a personagem mantém apenas as botas e a extrema esperteza. Esse Gato que protagoniza a animação que entrou em cartaz nos cinemas brasileiros na semana passada, é oriundo de Shrek, onde era coadjuvante. Aqui ele vive uma aventura própria, tecnicamente irrepreensível nestes tempos de 3D. Vozes célebres também dão credibilidade e charme ao filme, sendo o gato dublado por Antonio Banderas e a gata Kitty Pata-Mansa por Salma Hayek. A personagem principal faz várias referências ao filme “A Marca do Zorro”, estrelado por Banderas. O diretor é Chris Miller, o mesmo de Shrek Terceiro. A versão brasileira não tem o charme das vozes de Antonio Banderas e Salma Hayek.


“O Gato de Botas”, além de Banderas e Hayek, foi dotado de uma latinidade acentuada pela trilha sonora. Já a história é meio sem graça e arrastada, fora alguns momentos de aventura ligeira, com as tradicionais perseguições, lutas de espadas, fugas alucinadas. O visual é sempre magnífico, mas uma animação, mesmo a que tenha tratamento tecnológico sofisticado e efeitos especiais de última geração, não se sustenta apenas por essas qualidades. Além do mais, as crianças atentas às histórias que lhes são contadas, podem ficar confusas, primeiro com a história do próprio “Gato de Botas”, depois pela mistura meio atrapalhada de “João e o Pé de Feijão” e “A Galinha (ou Gansa) dos Ovos de Ouro”. Os fãs de Shrek, contudo, ficarão felizes em ver o Gato tendo sua própria aventura, e não reclamarão de nada...


Fim de ano e férias são sinônimos de desenhos animados nos cinemas e nas locadoras. É preciso achar atrações para o público infantil que deixa as salas de aula. O atrativo adicional das cópias em 3D também ajuda a consolidar gordas bilheterias. Nessa linha estreou também o competente e gracioso Happy Feet 2, de origem australiana, dirigido por George Miller. Esses são os mais recentes sucessos garantidos, antes da chegada de “A Era do Gelo 4” em 2012, confirmação da espetacular ascensão do nosso diretor Carlos Saldanha em Hollywood, depois dos primeiros três filmes da série e da consagração de “Rio”.


E para quem deseja ir ao cinema para ver um filme sobre crianças, está em cartaz em São Paulo “O Garoto da Bicicleta” (Le Gamin Au Vèlo). Nada a ver com os temas das animações de férias e final de ano. Aqui a história é dramática, sobre um menino abandonado pelo pai, vivido por Jérémie Renier, e que não se conforma com essa situação. Ele encontra na cabeleireira Samantha, interpretada por Cécile de France, um apoio fundamental na busca do pai e nos rumos de sua vida. O garoto, rebelde, se envolverá com um jovem traficante, passando por amargas experiências que o ajudarão a ficar de olhos abertos diante da vida e suas armações.


“O Garoto da Bicicleta” tem sido celebrado como um dos melhores filmes do ano pelos críticos brasileiros. É sentimental e comovente, mas marcado pela dureza da vida real, mostrada sem retoques, nem artifícios para conduzir a emoções fáceis. Isso é característica dos diretores, os belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, que surpreenderam o mundo cinematográfico principalmente com “A Criança”, de 2005, vencedor da Palma de Ouro em Cannes.


No elenco de “O Garoto da Bicicleta” o destaque maior é para o menino Thomas Doret, que interpreta Cyrill, o garoto do título. Ele é sensacional e já aparece como uma grande promessa do cinema europeu, dado ao seu talento precoce que, espera-se, venha a se confirmar na continuidade da carreira. O outro destaque é para a excelente Cécile de France, sempre bela e ótima atriz. Para quem não se lembra dela, vale recordar que é a atriz do belíssimo filme de Clint Eastwood, “Além da Vida” (Hereafter), que pode ser visto no DVD ou Blu-Ray.



Bem, é isso: gatos espertos e garotos abandonados são ingredientes comuns nos cardápios cinematográficos de todo ano. Nos casos citados, até que temos bons pratos.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

UM DIA COM ANNE HATHAWAY


Por José Farid Zaine

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Ela faz a proeza de estar mais linda a cada filme, mesmo que queiram que a personagem pareça meio desleixada, desarrumada. Anne Hathaway é a estrela do momento, e sua presença é garantia de altas bilheterias. Ela está com tudo. E merece. É ótima atriz. Entrou em cartaz na semana passada, em todo o Brasil, o novo filme dela, “UM DIA” (One Day), um drama romântico conduzido com leveza por Lone Sherfig, a mesma diretora dinamarquesa do elegante “Educação”, que lançou ao sucesso a jovem atriz Carey Mulligan.


“Um Dia” não é propriamente original. A fórmula é a mesma de “Tudo Bem no Ano Que Vem” : um casal se encontra, por muitos anos, sempre na mesma data. Aqui o caso é uma noite de 15 de julho, após a formatura, em que os amigos, Emma e Dexter, ficam juntos. O ano é de 1988. Após esse primeiro encontro vamos ver o que está acontecendo na vida dos dois, todos os dias 15 de julho de vinte anos depois.


Dexter se transforma num apresentador de um programa de TV ruim, mas se estabelece financeiramente. Emma vira garçonete de um restaurante mexicano, enquanto acalenta o sonho de ser escritora. Os caminhos dos dois seguirão por trilhas diferentes, marcadas por derrotas, sofrimentos, vitórias, encontros e desencontros. Todos os anos eles se encontrarão, fisicamente ou não, a despeito de tudo o que acontece em suas vidas, como se uma força maior jamais deixasse que seus caminhos se cruzassem sempre.


“Um dia” tem momentos emocionantes, comoventes, sem ser piegas nem apelativo. Ás vezes é moroso, e o ritmo conferido pela diretora o deixa um pouco arrastado .Nada que prejudique o prazer de ver essa história de amor moderna, embalada por boa música e tecnicamente muito bem cuidada em todos os detalhes, principalmente na caracterização de cada ano, cujas diferenças são apropriadamente marcadas pelos figurinos, maquiagem e penteados. O filme tem o roteiro baseado no livro homônimo de David Nicholls.


Anne Hathaway, vivendo Emma, combinou bem com seu par, Jim Sturgess, o intérprete de Dexter. Sturgess, de carreira ascendente, que fez sucesso em “Across the Universe”, pode ser visto no último filme de Peter Weir, “Caminho da Liberdade”.



Dentre os coadjuvantes de “Um Dia”, todos bons, destaque para a excepcional Patricia Clarkson, como a mãe de Dexter. Ela dá um show e rouba a cena. Para quem não a conhece muito, seria bom ver o original, engraçado e inteligente “Tudo Pode Dar Certo”, de Woody Allen, onde ela está espetacular.


E para quem não se contenta com apenas “Um Dia”, e não pensa em ir ao cinema para esse encontro com Anne Hathaway, então o negócio é vasculhar as locadoras onde há muitos e bons filmes com ela. Ela é a mulher de Jake Gyllenhaal no magnífico “O Segredo de Brokeback Mountain”, mas não foi tão celebrada quanto Michelle Williams, que fazia a esposa de Ennis Del Mar, interpretação sublime de Heath Ledger. Com Jake, Anne voltou a fazer par, embora totalmente diferente, em “Amor e Outras Drogas”, onde os dois protagonizaram belas e tórridas cenas de sexo. E quem liga “O Diabo Veste Prada” apenas à diabólica e loura personagem de Meryl Streep, é bom revisitar esse filme e notar a moreninha, a própria Anne. Em “O Casamento de Rachel” ela brilhou totalmente e recebeu uma indicação ao Oscar de atriz coadjuvante.


Enfim, há muito mais de Anne Hathaway e vai muito além de “Um Dia”. Certamente um fim de semana inteiro com ela nos DVDs encherá a casa de graça, beleza, ousadia e sensualidade.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

SELTON MELLO CONTRA OS VAMPIROS

Por José Farid Zaine

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“Amanhecer – Parte 1”, o início do fim da saga “Crepúsculo”,dirigido por Bill Condon, está abarrotando os cinemas do Brasil com legiões de jovens fãs do casal Bella Swan e Edward Cullen, interpretados por Kristen Stewart e Robert Pattinson. O encanto provocado pelos livros de Stephenie Meyers em multidões de leitores por todo o mundo atingiu ainda maiores proporções nas telas. Fascinados por terror, os jovens encontraram em “Amanhecer”, mais do que nos outros filmes anteriores, elementos para se apaixonarem ainda mais: o terror persiste, as lutas entre lobos e vampiros estão lá...e , bem à mostra, os músculos de Taylor Lautner. Mas estão também agora tórridas cenas de sexo entre os dois protagonistas, um casal que na maior parte das cenas de todos os filmes da saga, não consegue química, liga. Nesta primeira parte do final da saga, entretanto, eles ficam um pouco mais interessantes, por conta do casamento – que tem cenas plasticamente lindas – e da gravidez de Bella, que faz lembrar “O Bebê de Rosemary” sem jamais, claro, ter um mínimo de seu suspense e de sua sufocante tensão.


O diretor deu ao casal uma lua de mel invejável num lugar paradisíaco, que logo se reconhece como Rio de Janeiro pelo Cristo Redentor e os arcos da Lapa. A tentativa de exibir o jeito carioca de ser, com o carnaval e a sensualidade solta pelas ruas ficou rigorosamente ridícula. Como conferir a um ignorante total a trilha sonora de um filme que tem passagem pelo Brasil, sem que o autor tivesse a mínima noção de música popular brasileira? Como chamar aquilo que ele coloca nas cenas do carnaval, um samba americano com toques latinos? Ah, claro, os caseiros do magnífico lugar para o romance de Bella e Edward são brasileiros, falam português, são feios e com cara de feiticeiros, ele quase um bruxo velho e ela uma índia com poderes sobrenaturais. Clichês horrorosos para dar uma imagem feia e distorcida da cultura brasileira. Já Robert Pattinson, o vampirinho branquelo de olhos vermelhos, fala um portunhol risível, absolutamente desastroso. Enfim, é preciso ver “Amanhecer” para entender o que buscam nossos jovens no cinema, esses mesmos que também lotam as sessões de “Pânico”, “Premonição”, “Jogos Mortais” e derivados.


Onde não falta cultura brasileira é no filme de Selton Mello, estrelado por ele, “O Palhaço”. Selton é um grande ator e o filme é muito bonito. Tem ótima fotografia, direção de arte apropriada, trilha sonora linda e um elenco correto. Paulo José faz o pai de Selton, e os dois são palhaços em um circo mambembe. Em suas andanças pelo interior de Minas Gerais, numa viagem interminável, o circo vai, aos trancos e barrancos sobrevivendo, levando arte e alegria ao povo. Mas o que faria de Pangaré, o palhaço vivido por Selton Mello, um palhaço triste? A resposta não será muito convincente. Falta uma certa consistência ao roteiro, uma verdade. Em muitos momentos o filme soa falso, forçado. Há sequências muito bonitas e bem elaboradas, claro, mas sempre parece faltar alguma coisa. No elenco o destaque é mesmo para Selton, um ator maravilhoso. Talvez tivesse faltado a ele também um olhar de fora, já que ele mesmo é o diretor, e um ator precisa de direção.


Em “O Palhaço” há um destaque para Moacyr Franco, numa sequência impagável como o delegado. É pequena mas é ótima a participação também de Fabiana Carla.


“O Palhaço” tem graça e leveza, mas é um filme triste, todo ele pintado pela melancolia de Pangaré e seus sonhados ventiladores.


“O gato bebe leite, o rato come queijo...e eu sou um palhaço”, ensina o palhaço-pai, mandando essa didática mensagem à plateia: ninguém escapa da própria natureza. Pangaré sofrerá para chegar a essa conclusão, mas chegará.


De qualquer forma, é sempre bom ver um filme nacional de qualidade roubando uma significativa fatia do público de “Amanhecer”, num corajoso lançamento simultâneo. Com muito menos cópias, “O Palhaço” tem feito bonito nas bilheterias. É a luta desigual de nosso querido Selton contra os vampirinhos crepusculares que agora chegam ao amanhecer.